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Beleza Americana
American Beauty (EUA/1999)
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"olhe de perto..."
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Assistindo à “Beleza Americana” pode-se chegar a uma dúvida razoável : ou os norte-americanos têm uma capacidade incrível de rir dos seus próprios defeitos ou então eles são uns grandes e completos idiotas. Só uma dessas hipóteses pode explicar o fato do filme ter ganho o principal Oscar do ano 2000, (de Melhor Filme) além de muitos outros prêmios. Afinal, é realmente de se estranhar que um filme que coloque o dedo na ferida do orgulho daquele país possa, afinal de contas, fazer sucesso por lá. Quem assistiu ao filme, sabe muito bem do que estamos falando. Desde o roteiro até as interpretações, “Beleza Americana” é uma crítica ácida e doentia a cultura e os costumes do famoso “american way of life”. Cada fotograma disseca a história da América e pinta um quadro pessimista dos acontecimentos, deixando bem claro que, à medida que o progresso avança, a sociedade se torna mais fraca e sem objetivos. Mais estranho ainda é o fato do filme ter sido produzido pela “Dreamworks”, o estúdio que, entre seus fundadores, tem a honra de contar com Steven Spielberg. O cineasta é conhecido justamente por retratar na tela os sonhos, os ideais e o heroísmo do povo e do homem comum. Os protagonistas dos seus filmes habitam uma nação romântica, idealizada, mostrando a importância da esperança, da luta, e, principalmente, do patriotismo. Mas esse mesmo Spielberg fez questão de chamar Sam Mendes (diretor originário do teatro) para construir um delicado painel que, mesmo sendo lírico e poético em algumas cenas, é bastante agressivo em sua idéia de desmoralizar a sociedade. Nada no filme é mostrado de forma humana. Isso na verdade não é um defeito, mas uma escolha proposital do diretor. Tudo é irreal, histriônico, histérico. Um homem cinquentão (Kevin Spacey, excelente) vive como uma máquina de trabalho, sem prazer, sem lazer, sem perspectiva. A mulher, fútil até o exagero, só se preocupa com seu futuro como corretora de imóveis e com seu próprio ego. Os dois mal se comunicam, e a ausência sexual é compensada apenas pela masturbação (no caso dele) ou pela infidelidade (no caso dela). A filha é o estereótipo da adolescente revoltada e os outros personagens são tirados da lista de tipos americanos : desde o sargento durão, até a patricinha, todos eles desfilam na tela mais como um componente para ilustrar este universo do que um personagem com história própria. De repente, o coroa se interessa pela amiga da filha. A mulher trai o marido. A menina perde a virgindade. O vizinho se revela um delinqüente vendedor de maconha, o sargento se revela homossexual... E à medida que esses personagens vão se auto-destruindo aos poucos, todos os tabus caem por terra e somente o personagem principal, o cinquentão, se humaniza. E quando finalmente ele se sente feliz, realizado, diferente da sociedade e humano ele... Bom, para quem não sabe o final, é bom não estragar a surpresa. Infelizmente, todo este panorama é mostrado de forma bastante metafórica e Sam Mendes gosta e abusa disso. Aproveita cada cena para fazer um exercício de estética: um saco de lixo como beleza ideal, uma narração (póstuma) em off, flash back... Tudo para amenizar o impacto do público. Em vez de ser direto e realmente ousado, o filme recua toda vez que começa a entrar nas vísceras dos costumes deste povo. E este se torna o principal problema. A dor, a piedade, a transgressão, enfim: tudo, por muito pouco, não vai por água abaixo com o final cheio de redenção e pretensiosamente moralista. Mas, em termos de cinemão , já é o bastante. Quando chegar o final, e as lágrimas vierem ao seus olhos da forma mais incômoda, piegas e melosa, não se acanhe. Afinal, isso é Hollywood.
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Plínio Meirelles
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