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As Confissões de Schmidt
About Schmidt (EUA/2002)
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"O quê você diz quando olha para trás e se pergunta: Que diferença eu fiz?"
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Warren Schmidt é uma pessoa comum. Aos 66 anos, ele acaba de se aposentar de uma firma de seguros e ainda está se adaptando ao seu novo estilo de vida quando sua mulher, Helen, morre. Schmidt então percebe a solidão de sua vida, sente falta da filha, que mora em uma cidade distante e está prestes a se casar com um fracassado, e começa a se perguntar: E agora? Em busca de um sentido para tudo isso ele parte por uma viagem por alguns dos lugares onde viveu, a bordo de seu trailer, conhecendo novas pessoas e tentando encontrar seu lugar. A viagem termina na véspera do casamento da filha, na casa de Roberta, a mãe do noivo. A depressão de Schmidt se torna ainda maior ao perceber que além do genro fracassado, a família do noivo está bem abaixo de suas expectativas. Todos esses acontecimentos são acompanhados da narrativa leve e otimista do protagonista e de suas cartas a Ngupu, um menino à quem ele sustenta em um programa de ajuda à crianças carentes na África. A visão depressiva da vida de Schmidt é uma das melhores análises da sociedade americana e das relações familiares cada vez mais frágeis. Mas diferente da visão irônica e sarcástica de filmes como “Beleza Americana”, optou-se por um maior aprofundamento na vida de um único personagem e de suas relações com as outras pessoas. O distanciamento entre pais e filhos, um dos enfoques do filme, é uma reflexão sobre a importância dada ao sucesso individual exaltado pelos americanos. E a busca de Schmidt por um sentido para sua vida é altamente filosófica (quando palavras como “filosófica” aparecem no texto vejo que é hora de mudar de assunto). Com o roteiro adaptado de um romance de Louis Begley, “As Confissões de Schmidt” fecha o grupo dos dramas realistas que concorrem ao Oscar 2003. A história triste do aposentado e suas reflexões sobre sua vida tem o mesmo tom depressivo encontrado em “As Horas”, onde a sensação de vazio na vida dos personagens também é uma constante. Jack Nicholson consegue através de uma brilhante atuação transmitir ao público a tristeza de seu personagem, que apesar de profundo torna-se claro (que analogia horrível!). É através dele que o filme toma forma (e qualidade), mas participações como a de Kathy Bates no papel da divorciada Roberta também não devem passar desapercebidas. A boa trilha sonora, quase toda em piano, preenche muito bem os silêncios que surgem através do filme. Com tantos elogios, fica claro o meu ponto: assista o excelente “As Confissões de Schimdt”.
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Gustavo Catão
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