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A Separação


Jodaeiye Nader az Simin (Irã/2011)

 



Direção: Asghar Farhadi

Roteiro: Asghar Farhadi

Elenco: Peyman Moaadi (Nader), Leila Hatami (Simin), Sareh Bayat (Razieh), Shahab Hosseini (Hodjat)

 

Duração: 123 min | Gênero: Drama

 

crítica por Clênio Viégas

Será que, justamente agora, quando as relações entre EUA e Irã estão passando por um momento político consideravelmente delicado, a Academia de Hollywood vai finalmente dar seu aval ao cinema do país de Mahmoud Ahmadinejad? A julgar pela festa em torno de "A Separação" - eleito Melhor Filme Estrangeiro no Golden Globe e vencedor de 3 prêmios no Festival de Berlim de 2011 - a resposta é um sonoro "sim". O filme dirigido por Asqhar Farhadi, a despeito de vir de um país não exatamente amistoso na visão americana, vem sendo altamente incensado pela crítica do mundo todo e suas chances de vitória são bastante grandes e por um motivo bastante simples: é um grande filme.
Grande não no sentido de grandioso. "A Separação" é visualmente simples e despojado, e aparentemente simples também em sua trama. As aparências, nesse caso, enganam. O roteiro, escrito pelo próprio diretor, parte de uma situação quase banal para fazer, a seu modo discreto mas passional, uma pequena crônica social de seu país, onde a religião e as leis são fatores imperativos e inquestionáveis. Distante da filmografia quase contemplativa de Abbas Kiarostami - o mais célebre cineasta iraniano - a obra de Farhadi é explosiva, intensa e emocional, amparada em um elenco soberbo e em um roteiro tão cheio de desdobramentos que resumí-lo é tirar dele boa parte de sua força.
O que pode-se dizer sobre a história de "A Separação" sem estragar o prazer de assistí-lo é que tudo começa quando Simin (Leila Hatami) resolve pedir o divórcio, por entender que somente assim ela poderá aproveitar o visto para sair do país e dar uma vida melhor para a filha de dez anos de idade, Termeh (Sarina Farhadi, filha do diretor e premiada como melhor atriz em Berlim). O marido, Nader (Peyman Moadi) não pode sair do Irã porque seu pai sofre de Alzheimer e, separado da esposa, contrata Razieh (a ótima Sareh Bayat, que dividiu o Urso de Ouro com Sarina Farhadi) para cuidar do velho enquanto ele está no trabalho. Acontece que Razieh - que vai trabalhar sempre acompanhada da filha pequena - está grávida e não declarou abertamente seu estado. A omissão dessa gravidez, a tensão de Nader em relação à situação com a família e a relação complicada de Razieh com o marido Hodjat (o excelente Shahab Hosseini) são os ingredientes que farão com que uma situação corriqueira se transforme em um terremoto na vida de todos os envolvidos.
A trama de "A Separação" é forte, enriquecida com os dogmas religiosos e culturais de um país cuja dinâmica social ainda é quase uma incógnita para nós, ocidentais. Mesmo assim, consegue ter um alcance humano raro e uma inteligência dramática admirável. Perder o Oscar por questões políticas seria não apenas obtuso, e sim criminoso.
Email para contato: cobainpoa@yahoo.com.br

crítica por Matheus Pannebecker

 

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