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Fred Burle no Cinema
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por Fred Burle
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| Cinema escrito de Berlim para o Brasil. |
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Reencontrando a Felicidade
Rabbit Hole (EUA/2010)
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Crítica
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5 de maio de 2011 |
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Se há uma dor que não possa ser descrita em palavras, talvez seja a da perda de um filho. Mas este sentimento arrasador pode ganhar uma força inestimável através de imagens, se bem transportado.
O roteiro de David Lindsay-Abaire foi baseado na peça homônima, também de sua autoria, ganhadora do Prêmio Pulitzer para Dramas em 2007, além de receber várias nominações ao Tony Awards daquele ano. De posse de um trabalho tão preciso e enxuto quanto este, o diretor John Cameron Mitchell (Shortbus) fez miséria e colocou o filme num patamar muito mais alto do que o que se esperava.
A história de Becca e Howie, casal que luta para reconstruir a vida após a morte do filho de 4 anos é densa, vagarosa, sofrida. Os dias se arrastam e cada vez mais a relação do casal parece se esvair em ressentimentos e fugas distintas. É assim que vemos na tela a fidedignidade do que normalmente acontece quando um casal precisa se reestabelecer, mas cada um encontra válvulas de escape diferentes e lida como pode com o próprio sofrimento.
Às vezes não se percebe que rumos a vida está tomando e a dor que se sente pode ser tão grande que impede que se aviste o outro. É duro ver uma relação assim e não há ninguém que possa dizer que esta ou aquela é a decisão certa.
Tanta dor é absorvida com impressionante introspecção por parte do elenco, especialmente por Nicole Kidman (Moulin Rouge), que por mais que esteja com menos expressão facial que antigamente e deformada por tanta plástica, mostra que ainda pode dar a volta por cima na carreira e realizar excelentes atuações como essa. Aaron Eckhart (Obrigado Por Fumar) segura bem as pontas como o pai, mas serve mais de escada para Nicole. O mesmo não acontece com Dianne Wiest (Edward Mãos de Tesoura) e Tammy Blanchard (O Bom Pastor), que fazem a mãe e a irmã da protagonista, respectivamente, e se põem no mesmo patamar alto de atuação.
O realismo da situação é forte e não deixa dúvidas: é duro conviver com uma perda tão grande. Nas palavras de Howie: “é como se ele (o filho) ainda estivesse por aqui. Às vezes sinto que ele está em seu quarto, brincando, escondido debaixo da cama...”. É duro deixar a ficha cair, mas a mãe de Becca, que também passara pela mesma tragédia, a certo momento sabiamente diz: “...na verdade, este ferida nunca será fechada; mas quer saber? Isso é bom.”
Alguém aí tem um lenço?
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Thor
Thor (EUA/2011)
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Crítica
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28 de abril de 2011 |
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Mais uma empreitada da Marvel Studios em direção a um conjunto filmográfico baseado em seus quadrinhos, Thor estreia com hype e a missão ingrata de ser mais um arrasa-quarteirão do estúdio, com expectativa semelhante à do sucesso Homem de Ferro. Além disso, é mais um projeto que aponta para o projeto-mor do estúdio, Os Vingadores – que terá seu caminho completamente aberto com a estreia de Capitão América, em julho próximo.
Thor é baseado nos quadrinhos que, por sua vez, são inspirados na mitologia nórdica dos asgardianos, seres imortais que foram confundidos com deuses. O personagem-título (Chris Hemsworth) é o “deus do trovão”, herdeiro do trono de Odin (Anthony Hopkins). Após demonstrar despreparo para ser rei e provocar uma guerra com os Gigantes do Gelo, o heroi possuidor do poderoso martelo Mjolnir é destituído de seus poderes pelo pai e exilado por ele na Terra, até que aprenda a ser humilde.
Mas a história não seria hollywoodiana se não tivesse o irmão traidor e a mocinha, certo? Por isso, temos como outros personagens centrais Loki (Tom Hiddleston) e Jane Foster (Natalie Portman).
Hemsworth emprega toda a força (em dedicação e músculos), arrogância, brutalidade e coragem para seu Thor, mas é vítima de uma necessidade inexplicável da fotografia em captá-lo exarcebadamente através de closes e cenas sem camisa, o que fazem dele apenas um objeto de histeria feminina (às vezes masculina), futura capa de revistinhas de adolescente.
Natalie Portman paga de mocinha apaixonada – apesar de carismática e linda como sempre – num papel que nem merecia tanto destaque quanto teve – assim como os seus companheiros terráqueos, um cientista desconfiável e uma amiga piadista sem a menor graça. Tom Hiddleston tem seus momentos de boa atuação, mas nem precisa de closes fotográficos para se queimar. Ele mesmo exagera nas caras e bocas.
Assim, sobra espaço para Anthony Hopkins esbanjar sobriedade e competência. Mas, apesar da má dosagem dosagem do elenco, é bom que se diga que eles pelo menos têm a vantagem de não transparecerem aquela sensação comum em filmes do gênero, de que o elenco não se leva a sério e está ali para fazer o pé-de-meia. Aqui, eles nunca parecem estar rindo de si mesmos por dentro.
Kenneth Branagh (da versão de Hamlet, de 1996) dirige o filme tomando cuidado com a mitologia que envolve a história, deixando Fúria de Titãs e Percy Jackson no chinelo, inclusive no quesito diversão. Os efeitos sonoros são um excepcionais e boa parte dos efeitos visuais são de babar – exceto aqueles que constroem a tal da “ponte de arcoiris” e os interiores exagerados do palácio de Odin. E nem precisava de efeitos 3D, que apesar de bons, não acrescentam nada ao filme.
A quantidade de ouro e um figurino tosco (como quase sempre acontece em filmes com deuses mitológicos) fazem de muitas cenas um grande Cavaleiros do Zodíaco, que só cedem espaço quando surge a Sociedade do Martelo, de integrantes apagadíssimos – dentre eles as versões mitológicas de Xena e Jackie Chan, segundo zomba o próprio roteiro.
Apesar de seus defeitos, Thor é um bom passatempo, recheado de ação e aparições anunciativas dos próximos projetos da Marvel – algo que os fãs de quadrinhos irão adorar – e abre caminho para boas sequências, além da participação do personagem em Os Vingadores, como evidencia a cena pós-créditos.
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Os Agentes do Destino
The Adjustment Bureau (EUA/2011)
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Crítica
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14 de abril de 2011 |
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O adjetivo que mais se encontra nas críticas de Agentes do Destino mundo afora é silly (bobo) – apesar de o mesmo ter arrancado lá suas críticas piedosas. Talvez não haja mesmo melhor qualificação do que esta – bobo – para o filme.
Primeira experiência de George Nolfi na direção, o filme derrapa nos próprios conceitos, com lições de moral mais que ultrapassadas e falta... de tudo.
Nolfi era, até então, apenas roteirista, cujo currículo incluia o bom Ultimato Bourne, misturado a outras obras medíocres, como Sentinela e Doze Homens e Um Segredo. Ele baseou-se na short story “The Adjustment Team”, de Phillip K Dick (autor daquilo que inspirou Minority Report), para escrever mais um companheiro para o seu hall de malfadados.
Matt Damon é David Norris, um político que perde as eleições, se apaixona (!) por Elise, jovem que conhecera no banheiro masculino – no dia do seu discurso da derrota – e dois minutos depois já estavam se pegando. Ele resolve fazer de tudo para reencontrar este amor da sua vida e ficarem juntos, mas “os agentes do destino” estão sempre, perseguindo-os para não deixar que isto aconteça, num esquema meio 1984 (o livro de George Orwell), com pitadas de eliminação cerebral amorosa de Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças e portas mágicas que dão para lugares completamente inusitados (Matrix, alguém?).
Retirando a palavra “criatividade” do seu vocabulário, Nolfi lança mão de todo e qualquer elemento batido: o elemento “amor predestinado”, o elemento “Coelho Branco”, o elemento “ajudante misterioso que não se sabe porque o faz, mas tem suas razões para tal” e o elemento “garota que representa o perigo, a tentação que pode ser a perdição do heroi”. Não é possível: estou delirando ou já vimos este filme antes? Acho que os “agentes do destino” esqueceram de apagar isso da minha memória, para eu achar que via algo novo...
Nem a paixão dos protagonistas se faz crível. Sem uma cena sequer que mostre a fase do “se conhecer e se apaixonar”, fica difícil acreditar em uma promessa de amor sequer que eles façam. E olha que eles prometem...
Damon e Blunt até que se esforçam e batem o ponto com decência, mas funcionam separadamente, sem uma química que os faça um par memorável. Puderas: com a quantidade de diálogos furados que são obrigados a reproduzir e embalados por uma trilha sonora digna dos clássicos softporno Emmanuelle, fica difícil para eles convencerem alguém.
O conto de Phillip K Dick poderia ser um bom material para uma obra que causasse reflexão, mas não há inteligência que não se ofenda com tantas sequências anunciadas e nem um pingo de sutileza. Acaba morrendo pela própria língua.
Vazio, o filme poderia escapar da tragédia completa se investisse na ação, podendo pelo menos ser classificado como diversão escapista. Mas não teve jeito. A ação mandou lembranças e cedeu lugar ao bocejo.
Ao ir para o cinema assistir Os Agentes do Destino, é bom não se esquecer de convidar também a Santa Paciência, mas se ela tiver mais o que fazer, também não é preciso se preocupar: Deus é amor e ele vai te salvar no final.
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Bebês
Bébé(s) (França/2010)
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Crítica
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14 de abril de 2011 |
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No fim de semana de estreia de Homem de Ferro 2, nos EUA, em maio de 2010, outro filme chamou a atenção: era Bebês, documentário sobre... bebês, oras. O filme estreou em nono lugar, com surpreendentes US$ 2,1 milhões arrecadados, o que é raro de acontecer quando o gênero em questão é o documentário.
Assistindo-o, percebe-se que ele poderia ter sido um fracasso: não possui voice over, quase não possui falas e não possui uma história bem definida. Apenas a observação cronológica e a evolução e descoberta dos bebês em seu primeiro ano de vida, quando ainda estão todos na fase oral.
Mas seu sucesso é compreensível, pois apesar de
poucos gostarem de filmes sem fala, muitos se derretem por bebês e foi por isso (muito provavelmente) que o filme ganhou o público.
O diretor Thomas Balmes acompanhou por mais de um ano quatro recém nascidos: Ponijao, da Namíbia; Bayarjargal, da Mongólia; Mari, do Japão; e Hattie, dos EUA. Provavelmente, ele fez um trabalho prévio de acompanhamento das mães, que se mostram muito à vontade frente à sua câmera, mesmo no momento crucial e íntimo do parto. Em alguns momentos, a impressão é de que a câmera estava escondida ou estática e sem nenhum profissional por perto, a fim de captar os chamados “espaços vazios”, momentos em que aparentemente nada acontece, mas que possuem a síntese e a beleza da vida.
Além do crescimento e descobertas das crianças, o fator cultural é um ponto de observação muito forte e talvez o mais interessante. Vemos as diferenças de criação entre as quatro nações, assim como identificamos os pontos em comum entre qualquer mãe, o tal instinto materno.
A sessão do longa é das que mais causam reações no espectador, que involuntariamente e constantemente deixa escapulir um “óunn” ou um “eca!”, assim como muitas vezes dá vontade de acodir o bebê em apuros ou ajudá-lo a se virar, literalmente.
O fato é que observar bebês é uma das práticas favoritas de muita gente. Quem fizer parte deste grupo, adorará assistir este filme. Quem não se derrete com crianças, dificilmente terá paciência para ir até o fim.
Bebês se mostra como um bom exemplar para se discutir, a posteriori, psicologia infantil ou antropologia, mesmo não oferecendo nenhuma inovação de linguagem ou grandes curiosidades. Mas, com tanta fofura exposta, quem liga para isso?
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