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crítica de The Space Between


por Matheus Pannebecker, 2 de julho de 2012

The Space Between

Dependendo do diretor, a previsibilidade não chega a ser algo negativo. Vejam Travis Fine, por exemplo, que dirigiu, roteirizou e produziu esse telefilme chamado "The Space Between". A história contada por ele nada mais é do que um drama repleto de elementos que já vimos várias vezes em outras experiências cinematográficas: a tragédia do 11 de setembro, a improvável amizade entre um adulto e uma criança, uma viagem que muda a vida de duas pessoas, a mulher amargurada que usa a bebida para afogar as tristezas, e por aí vai… E poderíamos, durante horas, ficar listando tudo o que existe de previsível nos acontecimentos desse telefilme estrelado por Melissa Leo. Contudo, Travis Fine comanda tudo de forma tão simples que até relevamos esses detalhes que, nas mãos de um diretor mais pretensioso, poderiam afundar a história.

O que encontramos, portanto, é um longa previsível, mas completamente inofensivo: nada de tramas aborrecidas por serem batidas, estereótipos forçados ou resoluções enfadonhas. "The Space Between", em suas limitações, consegue contornar tais problemas e colocar a experiência no nível do agradável – para dizer o mínimo. Essa sinceridade de não querer ser mais do que realmente é tira o longa de Travis da zona de risco dos clichês e deixa a história com uma cara destinada ao grande público da TV: ou seja, o formato é acessível, os dramas não são lá muito complexos, o ritmo é bom e tudo se encaixa com o devido rigor para que a história cumpra cirurgicamente os 90 minutos da grade de programação destinada ao longa.

Em contrapartida, "The Space Between" não dialoga com o público que exige mais intensidade, uma vez que o formato é – repetindo – pensado para ser acessível. Por isso, o trabalho de Travis pode não ser visto com muita simpatia pela parcela do público que espera algo novo ou diferente. Eles, pelo menos, devem reconhecer que o diretor foi inteligente ao escalar Melissa Leo para encabeçar o elenco, já que ela é uma atriz que tem as características perfeitas para o papel que desempenha. Leo, sempre com um dom espescial para personagens sofridos e que possuem a tristeza estampada no rosto (arrasou em "Rio Congelado", lembram?), é o principal atrativo do longa. Ao contrário de seu teatro desnecessário quando venceu o Oscar de melhor atriz coadjuvante, ela é extremamente sutil em papeis como o de "The Space Between". Leo, afinal, sabe lidar com o tom ameno e açucarado desse filme esse que não é uma maravilha, mas que serve aos seus pequenos propósitos.

 

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