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crítica de Atividade Paranormal 4


por Daniel Medeiros, 5 de novembro de 2012

Atividade Paranormal 4

Ao contrário do que muitos fizeram, e fazem até hoje, o primeiro “Atividade Paranormal” se utilizou não apenas do formato imortalizado por “A Bruxa de Blair” – conhecido como mockumentary –, como também (e principalmente) da sua estrutura. Aproximando a narrativa de seus personagens como forma de driblar o baixíssimo orçamento, o diretor Oren Peli entregou uma obra intimista e assustadora, onde o estilo utilizado funcionava igualmente como forma de desenvolver a história e aumentar o suspense. Veio o sucesso, e com isso a consequente transformação em franquia. O problema é que, nessa transição, “Atividade Paranormal” deixou de se arriscar e passou apenas a fazer apenas aquilo que se espera da série. Como é o caso desse novo capítulo.

Escrito por Christopher Landon (responsável pelos textos dos últimos três longas), o roteiro se passa 5 anos após os eventos mostrados no segundo filme (uma revisão se faz necessária, ainda que não seja obrigatória), quando a família da jovem Alex (Kathryn Newton) passa a conviver com Robbie (Brady Allen), um estranho garoto que mora do outro lado da rua, depois que a mãe deste vai parar no hospital por motivos misteriosos. A partir da chegada do menino, eventos inexplicáveis passam a acontecer na casa. É então que Alex, com ajuda de seu namorado (Matt Shively), instala câmeras por todos os lados numa tentativa de investigar o ocorrido.

Explicada a utilização de câmeras amadoras, é chegada então a hora do suspense. E é ai que reside o maior problema de toda a franquia “Atividade Paranormal”. Com exceção do primeiro filme, todos os capítulos da série são nada mais do que um amontoado de cenas desnecessárias que se utilizam do silêncio e do tempo ocioso como forma de criar tensão e, eventualmente, causar alguns sustos. Não se preocupando em sequer desenvolver os personagens, algo necessário para fazer o público criar simpatia com aquelas pessoas e assim aumentar a tensão quando as vemos em perigo, Landon se mantém aqui em sua zona de conforto, sem ousar em absolutamente nada. Além disso, o roteirista toma decisões um tanto preguiçosas e não funcionais, como utilizar a subtrama envolvendo a crise no casamento dos pais de Alex apenas como desculpa para que eles não discutam um com o outro os eventos estranhos que estão presenciando – como se isso justificasse mostrar alguém ignorando o fato de que uma faca caiu do ar, sem mais nem menos, bem na sua frente.

E por mais que os diretores Henry Joost e Ariel Schulman (responsáveis por “Atividade Paranormal 3” e pelo excepcional “Catfish”) façam o possível para inserirem um pouco de criatividade visual (como as cenas envolvendo nightshot e os sensores do kinect, de longe os melhores momentos do longa), suas tentativas acabam se frustrando devido ao material irregular em que se baseiam: narrativamente falando, sequencias como a garota sendo levitada ou Robbie assistindo o jogo de futebol em certo momento e misteriosamente sumindo no momento seguinte, por mais que sejam visualmente interessantes, não têm função alguma. As cenas realmente importantes para o desenvolvimento da história (assim como em todos os textos de Landon) são inseridas em dois momentos: uma perdida no meio do filme e outra no final, que, como sempre, é interrompida bruscamente. Tal estrutura pode até ter funcionado financeiramente – os números estão aí pra comprovar isso –, mas não deixa de ser uma forma de enganar o espectador, como uma promessa que nunca se concretiza.

Com outra continuação já agendada para o próximo ano a franquia “Atividade Paranormal”, caso mantenha essa linha, corre o risco de se tornar o novo “Jogos Mortais”: uma boa ideia que, além de nunca repetir o sucesso inicial, se alonga mais do que devia e acaba caindo no esquecimento.

 

crítica de O Vingador do Futuro


por Daniel Medeiros, 1 de setembro de 2012

O Vingador do Futuro

O Vingador do Futuro” original, de 1990, reunia de maneira interessante e criativa a genialidade – e paranoia – do escritor Philip K. Dick com a visceralidade do cineasta Paul Verhoeven. O resultado foi uma ótima ficção científica com toques de grotesco, característicos do diretor. Recentemente, quando foi anunciada a escolha de Len Wiseman (“Anjos da Noite” e “Duro de Matar 4.0”) para o comando desse remake, ficou clara a intenção do estúdio de abandonar tudo o que já havia sido feito – e funcionado muito bem – anteriormente, e se render a mais um blockbuster de ação.

A trama mostra um mundo pós-apocalíptico devastado, onde apenas duas regiões do planeta continuam habitáveis: a Federação Unida da Bretanha, grande e rica metrópole, e a Colônia, localizada na antiga Austrália, onde vivem os menos favorecidos. Quando o simples trabalhador Douglas Quaid (Colin Farrell, sempre competente) se cansa da vida que leva (apesar de ser casado com Kate Beckinsale), ele decide visitar a Rekall, empresa que fornece memórias emocionantes para pessoas que não podem ter vidas emocionantes. Porém, logo no início do procedimento, o local é invadido por diversos policiais que passam a perseguir Quaid sem nenhuma razão aparente. É quando ele percebe que talvez não seja a pessoa que pensava ser, o que dá início (como era de se esperar) a mais perseguições.

Não que isso seja um problema, já que cenas de ação são a especialidade de Wiseman – vide a correria por cima das casas ou a sequencia dos elevadores. Além disso, conceitos puramente estéticos como o da inversão de gravidade são interessantes e bem utilizados – isso se ignorarmos o extenso uso de flares de luz sem nenhum propósito narrativo (copiados de J.J. Abrams). Da mesma maneira, o instinto de sobrevivência do protagonista, que se joga (e cai) de um lado para o outro, ajudam na concepção mais realista (e um tanto exagerada) proposta pelo diretor.

Vale destacar também o caprichado design de produção de Patrick Tatopoulos (“Cidade das Sombras”), que mostra a Colônia como um local de crescimento descontrolado, com casas construídas umas em cima das outras sem qualquer planejamento. Entretanto esse mesmo design acaba pecando em uma questão crucial: quando a Bretanha é mostra, ela é vista como local espaçoso e organizado (um contraste claro com a Colônia); porém o próprio filme sugere que a metrópole também se encontra superpopulosa, algo que inclusive se torna importante na trama em certo momento, mas que não é visível ao longo da projeção.

Apesar das diferenças com o longa que o originou, o maior problema desse filme reside nas suas semelhanças – ou melhor, nas tentativas de se assemelhar ao anterior –, que se mostram limitadas devido a visão (também limitada) do diretor. Se antes o protagonista tinha que retirar um rastreador do tamanho de uma bola de golfe pelo nariz, agora o dispositivo está na sua mão, sendo facilmente removível. E se o líder da revolução era um mutante preso ao corpo de outra pessoa, aqui ele é um homem elegante, cujo único motivo de ninguém o encontrar é porque ele se esconde muito bem. Sendo assim, utilizar a mulher de três seios como forma de homenagear o original acaba se tornando um elemento narrativo deslocado e sem sentido.

Ao final, “O Vingador do Futuro” funciona apenas como mais um blockbuster de ação; mas esse, como foi dito antes, sempre foi o propósito. O resultado seria mais satisfatório se Paul Verhoeven não tivesse provado, 22 anos atrás, que ele teria potencial para ser muito mais.

 

crítica de Branca de Neve e o Caçador


por Daniel Medeiros, 12 de junho de 2012

Branca de Neve e o Caçador

Adaptações de contos de fadas estão em alta no cinema. Depois de “Alice no País das Maravilhas” e do horroroso “A Garota da Capa Vermelha”, esse ano duas versões da história da Branca de Neve chegaram às telas. A primeira foi o fraco “Espelho, Espelho Meu”, do indiano Tarsem Singh, e agora “Branca de Neve e o Caçador” estreia nas salas brasileiras com a promessa de trazer uma versão mais sombria e diferente do clássico conto dos irmãos Grimm. Em comum com os demais títulos citados anteriormente, o longa de estreia de Rupert Sanders tem boas intenções, elenco grandioso e uma ideia mal executada, que o levam a um resultado inferior.

A história bastante conhecida mostra Branca de Neve (Kristen Stewart), uma jovem princesa presa no castelo por Ravenna (Charlize Theron), a madrasta má, após a mesma assassinar seu pai e assumir sozinha o trono. Anos se passam, o reino decai e a rainha mantém seu posto de mais bela – sugando a beleza e juventude das camponesas – até o dia em que recebe a notícia do seu espelho mágico que sua enteada é de fato a mais bela do reino e que a beleza da garota pode ser sua ruína. Porém, antes que ela consiga fazer alguma coisa, Branca de Neve foge de sua prisão e se esconde na temida floresta negra, local onde ninguém arrisca se aventurar. Para encontra-la, o Caçador (Chris Hemsworth) é chamado. Viúvo e com tendências suicidas ele aceita a tarefa de caçar a princesa e trazer seu coração. E aí que a história muda: ao invés o coração de um animal de volta à rainha, ele foge com a princesa, visando chegar a um reino próximo onde um exército amigo do falecido rei possa ajudá-la a tomar de volta seu reino à força.

Tomar liberdades criativas é uma ideia bem vinda, já que traz originalidade a uma história que todo mundo conhece. Sendo assim, criações puramente visuais – como o banho de leite –; imagens que trabalham com contraste de cores e cenários – sangue e neve ou floresta negra e santuário, por exemplo –; e abordagens psicológicas – como o fato de somente a rainha ver seu espelho no formato de pessoa, indicando possíveis problemas psicológicos da mesma e apresentando a teoria que o espelho de fato “reflita” o seu próprio pensamento, algo que até poderia estar implícito no conto original, mas nunca havia sido desenvolvido dessa forma – surgem na tela de maneira criativa e interessante.

O mesmo não pode ser dito do roteiro que insere um flashback da infância da Ravenna, com o intuito falho de dar densidade a uma personagem que funcionaria melhor se fosse apenas a personificação do mau. Aliás, é no roteiro que residem os maiores defeitos de Branca de Neve e o Caçador. Escrito pelo trio Evan Daugherty, John Lee Hancock e Hossein Amini, o texto apresenta uma série de diálogos autoexplicativos e toscos (“Imortalidade... para sempre”), além de um dos piores discursos motivacionais já feitos: “prefiro morrer hoje do que viver mais um dia dessa morte”. Não só isso, mas o texto ainda tenta apresentar um triangulo amoroso à la “Crepúsculo” em que bastam alguns segundos para que a plateia saiba como vai terminar – o que não justifica manter suspense quanto a isso por tanto tempo.

Oriundo dos comerciais, Rupert Sanders sabe muito bem criar uma concepção visual interessante, com planos em contraluz e descontinuidade proposital – como na cena da floresta negra –, porém ele parece não perceber que no cinema as cenas, por mais bonitas que sejam, precisam de um sentido narrativo: por exemplo, é bonito ver os atores cavalgando em câmera lenta pela praia enquanto os respingos da água e da areia preenchem todo o quadro, mas isso acaba não valendo de nada se quando eles chegam no seu objetivo, precisam ficar parados na frente de um portão esperando que esse se abra para que de fato possam batalhar.

Mantendo sua usual inexpressividade ao encarnar uma Branca de Neve vestindo armaduras e empunhando espadas, Kristen Stewart não chega a atrapalhar a trama (o que era a preocupação de muita gente que torce o nariz para a atriz); ao contrário de Charlize Theron, que limita-se a gritar – de maneira um tanto irritante – durante quase toda a projeção. E se Chris Hemsworth continua com a pose de galã e esbanjando bom humor, o destaque fica mesmo para o grande elenco de anões (desculpe o trocadilho). A química entre os oito (isso mesmo, oito) – Ian McShane, Bob Hoskins, Ray Winstone, Nick Frost, Eddie Marsan, Toby Jones, Johnny Harris, Brian Gleeson – rende alguns dos melhores momentos do longa. Mas isso não chega a ser suficiente para salvar o filme que, ao final, entrega (mais uma vez) um resultado apenas mediano.

Agora é esperar para ver como a adaptação de João e Maria, estrelada por Jeremy Renner e Gemma Arterton, vai se sair.

 

crítica de O Lorax - Em Busca da Trúfula Perdida


por Daniel Medeiros, 4 de abril de 2012

O Lorax - Em Busca da Trúfula Perdida

O Lorax é uma criação literária de Dr. Seuss publicado originalmente em 1971 e adaptado para a TV no ano seguinte. Sua função é contar, através de uma fábula infantil, uma história que ajude na conscientização das crianças a respeito dos perigos do desmatamento descontrolado das floras mundiais. O personagem é uma criatura alaranjada que “fala pelas árvores” e que aparece para tentar mudar a concepção de pessoas tomadas pela ganância. Mais de 40 anos depois do seu nascimento, O Lorax volta às telas, dessa vez utilizando-se do que há de mais moderno na tecnologia cinematográfica atual (o 3D e IMAX) para transmitir a mesma mensagem a uma nova geração.

A trama se passa na cidade de Thneed-Ville, onde tudo é de plástico e artificial. Lá, o jovem Ted procura uma árvore de verdade na tentativa de impressionar Audrey, sua vizinha. Com esse intuito, ele sai dos limites da cidade e vai falar com o misterioso The Once-ler (Umavezildo, na versão nacional), que lhe conta como aconteceu o sumiço das trúfulas (exóticas árvores com pelos no lugar das folhagens) e sobre o estranho Lorax, que cruzou o seu caminho quando este resolveu derrubar as florestas em busca de lucro. Porém, as aventuras e as boas intenções do garoto não são bem vistas por Mr. O’Hare, um milionário que fez fortuna às custas da poluição da cidade, vendendo ar puro a preços elevados.

Deixando clara desde o inicio sua intenção de conscientizar às plateias juvenis, o filme faz de tudo pra chamar atenção ao tema proposto. Desde o funeral da árvore morta até o discurso final, a impressão que fica é que os realizadores (os mesmos do divertido “Meu Malvado Favorito”) querem que os jovens saiam dos cinemas prontos para mudar o mundo. Além do mais, o uso de um humor leve e a presença de criaturas adoráveis (o ursinho obeso é o meu preferido) também favorece essa intenção. Enquanto isso, os pais vão se divertir com as (poucas) referências adultas, como a ótima homenagem à série “Missão: Impossível”.

Entretanto, o grande problema do longa é o fato dele não perceber que, por mais que sua mensagem seja importante, ela não funciona sozinha, sendo necessário que o material que a carrega seja atrativo e instrutivo o suficiente. Além do uso exagerado de sequências musicais (que pode não agradar boa parte das crianças que não estão mais acostumadas com isso), a própria ideia das corporações que lucram com a poluição não é bem desenvolvida, tornando o personagem de Mr. O’Hare uma simples caricatura, e não na representação de uma elite gananciosa e perigosa. Ao final, o que fica é um retrato um tanto vago de um problema bastante sério.

Ainda que já tenha atingido o seu objetivo financeiro (tendo estreado em primeiro nas bilheterias americanas e com grandes possibilidades de repetir o feito por aqui) não dá pra saber se “O Lorax – Em Busca da Trúfula Perdida” vai atingir seu objetivo ambiental. Afinal, o “Capitão Planeta” ficou no ar por anos, com um total de 6 temporadas e mais de 100 episódios, e ainda assim não conseguiu mudar o mundo. Vamos ver se o simpático bichinho bigodudo tem melhores chances.

 

Sombras da Noite - Trailer Legendado (HD)


por Daniel Medeiros, 4 de abril de 2012

 

Vídeo (Sombras da Noite - Trailer Legendado (HD))

YouTube (Inglês/Legendas em Português)

7 Marte

Coluna : Espaço destinado à abordagem de temas relacionados à sétima arte como notícias, trailers, curtas e críticas de filmes. Extensão do blog: Projeto 7 Marte

Colunista : Formado em Cinema e Vídeo, apaixonado por filmes e aspirante a crítico.

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